domingo, 23 de janeiro de 2011

*Este texto foi parcialmente redigido segundo o novo Acordo Ortográfico

Nunca fui bom aluno a Português nem tão pouco gostava da primeira professora que tive a essa disciplina, há cerca de 10 anos! Não me interpretem mal… não estou a querer dizer que a culpa era da professora! Confesso que sempre achei que esta não era capaz de incutir em mim a vontade de estudar, mas naquela altura a janela da sala tinha vista para as aulas de Educação Física e eu distraía-me a olhar para as raparigas; daí advém, com certeza, o meu natural insucesso!
De qualquer forma, apesar de ser um nabo quando o tema da conversa é sobre poesia do século XIV, felizmente nunca dei erros e é sobretudo isso que me traz novamente a este blogue!
(Antes de mais, quero confessar desde já o meu nervosismo ao escrever este texto. Seria uma vergonha cometer um erro ortográfico agora, depois de ter escrito o último parágrafo!)

A verdade é que me magoa, aliás, “dói-me” é o termo mais apropriado, como quem toca sem querer com o dedo mindinho do pé descalço na esquina de um móvel, perceber como este novo Acordo Ortográfico traz tantos erros a ele associados. Por vários motivos: em primeiro lugar, fomos nós que descobrimos o Brasil, caramba! Agora, com esta brincadeira, são eles que nos põem a descoberto, completamente despidos da elegância das complexas e algumas mui inúteis, porém formosas, palavras do nosso dicionário que nos enchiam de orgulho; em segundo lugar, vem disfarçar os erros ortográficos que tantas vezes se vêem escritos nas redes sociais, desde um grupo de músicos que escrevem “nós toca-mos flauta” ao “há” transformado em “á” de quem quer descrever o tempo que passou desde a última vez que leu um livro, por exemplo. A dada altura, uma pessoa já se questiona se aquilo estará ou não bem escrito.

Reparem que, com o novo Acordo Ortográfico, estamos sujeitos a gozar com alguém que escreveu uma palavra corretamente, mas errada à primeira vista. Há poucos dias redigi uma ata e riram-se de mim afirmando que não sabia escrever aquela palavra. Pois é meus caros, por muito que me custe escrevê-lo desta forma, atualizem-se e habituem-se a este acordo, que ele veio para ficar. E como ainda somos novos, é melhor que queiramos atualizar-nos ou corremos o risco de ser gozados quando, daqui a 20 ou 30 anos, insistirmos em escrever letras que não se lêem no meio das palavras.

E com o vídeo seguinte me despeço por ora:

P.S.: E porque também ainda me estou a habituar à ideia e o meu computador denuncia a minha tentativa de tirar os “c” e os “p” de algumas palavras, é natural que me tenha escapado uma ou outra adaptação ao novo Acordo Ortográfico. (Quase me senti tentado a tirar o “p” de adaptação, só para experimentar. Vou tentar: adatação.)

8 comentários:

  1. bem... muitas coisas que faltam aqui... uma delas é que não somos só nós que mudamos, os brasileiros tb mudam e muito. Até hoje os brasileiros usam o trema (como nós usamos na década de 20) para diferenciar quando lemos ou não os "us" a seguir aos "ques", exemplo: "freqüente". O caetano veloso, por exemplo, é totalmente contra o processo. Depois, há palavras que vão ser aceites das duas formas durante muito tempo... o fernando pessoa tb escreveu farmácia com PH e ninguém lhe dizia nada... mas passados 50 anos já ninguém escreve assim. E por ultimo, o acordo é muito mais importante para nós do que para o brasil. eles não precisam de nós para absolutamente nada... e nós...bem, digamos que 95% dos livros editados em Português são em Pt-Br...antes que eles evoluam mais com a língua o acordo serve para os parar a evolução natural de um país com 200M de hab e igualizar as coisas. senão for assim daqui a 100 anos a diferença entre o PT-BR e o PT-PT vai ser tão grande que não há volta a dar. A língua é de quem a fala... não é de quem a criou. Senão teríamos de dar a nossa aos romanos.

    ResponderEliminar
  2. Quem mais para fazer um comentário desses? ;) Como em quase todos os processos de mudança, há sempre uma altura em que adotamos uma postura reticente à evolução, imediatamente antes da aceitação. É difícil criar habituação a uma ideia nova que vem transformar, muito pouco é certo, aquilo a que nos adaptámos durante vários anos. O exemplo pode parecer ridículo: se eu estiver habituado, na minha sala de estar, a ter um sofá perpendicular à televisão onde gosto de estar sentado com as pernas esticadas e, a dada altura, este passar a estar numa posição paralela, obrigando-me assim a estar sentado com as pernas fletidas, não significa que esta seja uma pior opção. É apenas diferente daquilo a que me habituei.
    A minha posição em relação ao novo Acordo Ortográfico é precisamente esta. Aceito que faça todo o sentido, até porque é muito fácil perceber a quantidade enorme de documentos disponíveis na Web escritos em Português do Brasil. Custa apenas perder uma pequena caraterística desta nacionalidade.

    ResponderEliminar
  3. E cortar o bigode tb não é perder uma pequena característica (esta não perde o "c", porque se lê... assim como o clássico mito do "faCto") da nacionalidade?? :P

    ResponderEliminar
  4. Aí tens. Como digo, a dada altura deixamos de saber o que é ou não correto. Tenho que parar para pensar se lia o "c" ou não. ;)

    Lol. O bigode é outra conversa... não nos distingue dos outros. Um americano pode usar bigode sem parecer português. Mas se usar palavras portuguesas, dizemos que está a falar a língua de Camões.

    Tu és suspeito, por vários motivos, em relação a esta conversa. Compreendo a tua posição! Mas fere o orgulho de quem criou a língua, reparar que em alguns sítios se lê Português do Brasil e não Português de Portugal. Tenho a certeza que entendes isso! ;)

    ResponderEliminar
  5. Sabes... sou suspeito mas sou português. Mas aprendi muita coisa sobre portugal estando fora. Por exemplo, os brasileiros dão muito mais valor à NOSSA língua do que nós próprios. Por exemplo, se algum dia fores a São Paulo visita o museu da língua portuguesa. Vais ficar surpreendido... como eu fiquei.

    Fico espantado com várias pessoas que ficam orgulhosas quando o NOSSO português se diz a 5ª língua mais falada no mundo e depois são totalmente contra a aceitação do acordo referindo altos valores patrióticos, esquecendo-se que só um cagagésimo das pessoas que o falam é que são portugueses. ALém de que a maioria das palvras portuguesas derivam do castelhano, do árabe, do grego e do latim... portanto fará sentido dizermos que a língua é nossa?? e porque não falamos como o El-rei D. Afonso henriques?? ele não foi tão português como nós?

    Se queremos que a nossa língua viva e seja um marco no mundo temos de a deixar crescer. Ou então ficaremos para a história como o grego, o latim, etc... Volto a frisar, as pessoas que são contra, normalmente nem sabem com que linhas se coseu o acordo. Não sabem que angola, moçambique, guine e cabo verde vão ter de mudar muito mais que nós. Não sabem que o "brasileiro" tb vai ter sérias mudanças. e pegam-se a mitos como o "facto". Até agora a única palavra que eu descobri que vai ser difícil não confundir será "tecto" que passará a ser "teto" (LOL). Mas se agora existem tantas palavras homógrafas e homónimas qual o problema de as nossas crianças aprenderem mais umas quantas?

    e pegando na tua comparação...se uma pessoa falar português como é que um estrangeiro sabe que ele é português??? algum marco de nacionalidade aí?? coitados dos ingleses que têm de aguentar toda a gente a falar um inglês de merda por esse mundo fora... coitados... agora SÓ têm a língua dominante no mundo.

    ResponderEliminar
  6. Ora bem... Tive que pensar. (Este inquilino é dos lixados, ãh?!) Lol :D

    Sinto-me forçado a concordar contigo em tudo. Aliás, sempre concordei em certa medida! Defendeste bem a tua posição e portanto dou a mão à palmatória.

    Não faz sentido contrariar quem tem razão. Tu disseste tudo e não há pior, para mim, do que quem insiste em vincar uma posição só para contrariar.

    Só para queimar o resto da lenha... Toda a gente sabe quando um português fala. Temos carisma, nisso somos diferentes! ;D

    P.S.: Carisma que às tantas vem do Brasil... Eles têm mais do que nós. Bolas! :P

    ResponderEliminar
  7. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  8. não não... nisso tens razão o nosso português (quando bem falado e escrito) tem mais carisma e mais charme, assim como o British o tem em relação ao americano. Mas também depende dos sotaques... um açoriano e um escoscês...uiii.

    Outra coisa por exemplo diferente e que podemos ter uma grande palavra é em relação à aprendizagem por parte de estrangeiros. O pt-br é mais fácil de falar para os estrangeiros porque é mais aberto mas ao mesmo tempo é muito mais complicado que um estrangeiro consiga escrever porque há muitos mais sons parecidos. Por exemplo (lê com sotaque brasileiro): "mal" e "mau"; "

    Apesar de ser a favor do acordo, vou continuar a escrever da forma que aprendi até que alguém me corrija. O meu avô ainda escreve "Baptista" e "Victor" e ninguém lhe diz nada...

    p.s.: sim... sou dos fdds! ahahah

    ResponderEliminar