Hoje, dia 31 de Janeiro de 2011, celebra-se o 10º aniversário da morte de uma das pessoas mais interessantes que tive oportunidade de conhecer. Almoçávamos juntos, em família, todos os Domingos sem excepção. Ele cozinhava lindamente. Jogava-se às cartas, contavam-se algumas anedotas, conversava-se sobre política e outros assuntos e, curiosamente, recordo-me perfeitamente de como me aborreciam todas aquelas conversas. Eu só queria ir para casa… porque o Domingo à tarde era uma seca! É incrível como apenas conseguimos dar valor às coisas apenas depois de as perdermos, não é?
Diz-se dele que chegou a ter necessidade de fugir de um grupo de esquerdistas na altura da Revolução de Abril, pelos seus ideais políticos. Aparece em fotografias com D. Duarte Nuno de Bragança, pai de D. Duarte Pio. Tinha um leque enorme de conhecimentos. Bem, quero com isto demonstrar que este Homem tinha inúmeras histórias para contar e eu, naquele tempo, não tinha paciência para as ouvir! Hoje tomara ter essa oportunidade.
Mas aquilo de que mais me orgulho é a sua fabulosa herança! Hoje moro no Bairro onde ele viveu. Quem o conhecia, via nele um indivíduo extraordinário. Deu a vida pela mulher que amava, que hoje existe e nasceu doze anos antes dele, distraindo-se de si próprio e esquecendo a sua falta de saúde, envergando um altruísmo notável e esforçadamente raro. É com orgulho que ouço dizer na rua: “Era extremamente cavalheiro, uma pessoa fabulosa!” e, na sequência disso, receber o carinho e o respeito que as pessoas tinham por ele…
Não será esta a melhor herança que alguém pode receber?
Chamava-se Henrique Soares e era meu avô.