Nunca fui bom aluno a Português nem tão pouco gostava da primeira professora que tive a essa disciplina, há cerca de 10 anos! Não me interpretem mal… não estou a querer dizer que a culpa era da professora! Confesso que sempre achei que esta não era capaz de incutir em mim a vontade de estudar, mas naquela altura a janela da sala tinha vista para as aulas de Educação Física e eu distraía-me a olhar para as raparigas; daí advém, com certeza, o meu natural insucesso!
De qualquer forma, apesar de ser um nabo quando o tema da conversa é sobre poesia do século XIV, felizmente nunca dei erros e é sobretudo isso que me traz novamente a este blogue!
(Antes de mais, quero confessar desde já o meu nervosismo ao escrever este texto. Seria uma vergonha cometer um erro ortográfico agora, depois de ter escrito o último parágrafo!)
A verdade é que me magoa, aliás, “dói-me” é o termo mais apropriado, como quem toca sem querer com o dedo mindinho do pé descalço na esquina de um móvel, perceber como este novo Acordo Ortográfico traz tantos erros a ele associados. Por vários motivos: em primeiro lugar, fomos nós que descobrimos o Brasil, caramba! Agora, com esta brincadeira, são eles que nos põem a descoberto, completamente despidos da elegância das complexas e algumas mui inúteis, porém formosas, palavras do nosso dicionário que nos enchiam de orgulho; em segundo lugar, vem disfarçar os erros ortográficos que tantas vezes se vêem escritos nas redes sociais, desde um grupo de músicos que escrevem “nós toca-mos flauta” ao “há” transformado em “á” de quem quer descrever o tempo que passou desde a última vez que leu um livro, por exemplo. A dada altura, uma pessoa já se questiona se aquilo estará ou não bem escrito.
Reparem que, com o novo Acordo Ortográfico, estamos sujeitos a gozar com alguém que escreveu uma palavra corretamente, mas errada à primeira vista. Há poucos dias redigi uma ata e riram-se de mim afirmando que não sabia escrever aquela palavra. Pois é meus caros, por muito que me custe escrevê-lo desta forma, atualizem-se e habituem-se a este acordo, que ele veio para ficar. E como ainda somos novos, é melhor que queiramos atualizar-nos ou corremos o risco de ser gozados quando, daqui a 20 ou 30 anos, insistirmos em escrever letras que não se lêem no meio das palavras.
E com o vídeo seguinte me despeço por ora:
P.S.: E porque também ainda me estou a habituar à ideia e o meu computador denuncia a minha tentativa de tirar os “c” e os “p” de algumas palavras, é natural que me tenha escapado uma ou outra adaptação ao novo Acordo Ortográfico. (Quase me senti tentado a tirar o “p” de adaptação, só para experimentar. Vou tentar: adatação.)