terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

País de novelas

Com todo o respeito que tenho pelas pessoas que gostam de ver telenovelas…

Portugal é, definitivamente, um país cuja população é envelhecida e esse é o motivo fundamental pelo qual este é um tema passível de gerar alguma controvérsia. Já foi referido várias vezes em alguns órgãos de comunicação por que motivo os horários dos programas de televisão são assim e não de outra forma. Reparem que, segundo os entendidos, o período de sono em que a cabeça descansa é entre as 23h e as 3h. É meia-noite e acabo de abrir o Facebook para ver quantas pessoas aparecem online e constato que esta é, muito provavelmente, a hora de ponta. Como não creio ser possível alterar a teoria do período de descanso face à dificuldade em deslocar os astros e interferir no movimento do sol, resta-me expressar a minha indignação no que concerne à hora a que passam programas como o “5 para a meia-noite”, por exemplo, que apesar de contar com momentos susceptíveis de censura, é assistido por indivíduos que à partida têm que se levantar cedo no dia seguinte para ir estudar ou trabalhar. Como resultado, nenhum destes vai dormir mais do que 6 ou 7 horas quando, teoricamente, é fundamental dormir pelo menos 8 horas por dia. Falta de descanso gera o quê? Falta de produtividade. E falta de produtividade não origina o quê? Dinheirinho. E ausência de dinheirinho, resulta em quê? “Num país mais pobre”…, ups! A esta hora, há novelas! Novelas são programas para, lamento a expressão, pessoas com uma certa idade… É sobretudo aqui que se percebe como Portugal é um país envelhecido, naturalmente por representarem uma enorme fatia das audiências. Relembro: estas pessoas não têm que se levantar cedo. Podem perfeitamente ver a telenovela antes de jantar. Tenho ou não tenho razão?! As audiências ficam iguaizinhas, as pessoas vêem as telenovelas na mesma e a malta que tem que se levantar cedo no dia seguinte já pode ver um filmezinho, um documentário, um programa interessante e dormir as horas todas necessárias para acordar com energia suficiente no dia seguinte! Se quiserem compreender melhor o que estive a tentar explicar, cliquem no link seguinte:

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Geração «copo na mão»

Faço parte da geração “copo na mão”, como alguém que me é muito próximo nos costuma chamar. Não vou referir aqui quem é, para evitar que o meu pai seja alvo de represálias, mas a verdade é que concordo com esta expressão, por muito que me chateie enfiar esta carapuça. Pode até parecer que estou a escrever isto apenas para “criar boa impressão” e dar uma de bom filho, ainda assim reconheço que tem razão quando diz que gastamos imenso dinheiro, apenas pelo desconforto que é estar com as mãos a abanar e caídas junto ao tronco. Reparem logo à noite, a sério, por que motivo digo isto. Quem tem um copo numa mão, tem a outra enfiada no bolso. Quem não tem nada na mão, não sabe onde as colocar.

A expressão “copo na mão” vai mais longe e cataloga-nos, na minha opinião, como inconscientemente irresponsáveis face ao que o futuro nos reserva. Onde é que eu quero chegar? Bom, a verdade é que produzimos muito pouco – não tenho receio de ser mal interpretado, porque contra mim falo – esta geração trabalha pouco, pensa pouco no futuro, maldiz, usa e abusa dos recursos naturais e nada faz para os manter sãos.

Temos alguma dificuldade em compreender que o Mundo está a mudar. Estamos habituados a um estilo de vida recheado de facilitismos, em que tudo nos é dado em troca de muito pouco; vamos de carro para todo o lado, levantamo-nos tarde, deitamo-nos bem mais tarde, queixamo-nos por causa de “merdices”, tenham paciência se estou a ser bufo, mas é verdade!

Enfim, depois desta auto-reflexão, resolvi aceitar o desafio que me levou a fazê-la – a horta. Costumo resmungar sempre um bocado quando sou obrigado a levantar-me cedo e bem sabem como enerva sair da cama antes da hora de almoço depois de uma sexta-feira à noite, mas estou entusiasmado com a ideia de vir a saber distinguir facilmente (até tenho vergonha de escrever isto) uma couve de uma alface. É cada vez mais importante saber cultivar e garanto-vos… está na moda! Parece ridículo ter escrito isto, mas da mesma forma que se diz que a moda é cíclica, então a necessidade de cultivar está cada vez mais na moda, se é que me faço entender.

Em relação ao que eventualmente podem estar a pensar em jeito de desculpa para não meterem mãos à obra, uma escova de dentes usada resolve facilmente o problema.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Marcas que nos tentam enganar

“Quem diz a verdade, não merece castigo!”. Sempre ouvi este ditado e não podia estar mais de acordo!

As pessoas hoje em dia não se deixam enganar facilmente. Ainda assim, deparamo-nos constantemente com tentativas por parte das marcas que nos tentam ludibriar, forçando-nos a comprar produtos através do processo ao qual eu gosto de, muito simplesmente, intitular: “atirar areia para os olhos”. Reparem: há algumas semanas, uma marca cujo logótipo tem um tom avermelhado e vende equipamentos electrónicos situada em Alfragide, resolveu tapar os olhinhos aos clientes e fazer destes parvos ao lançar uma campanha em que, para festejar o primeiro aniversário da loja, durante uma hora os produtos estariam isentos de IVA. Foi uma loucura, uma multidão enorme acorreu imediatamente àquele estabelecimento! Até aqui, o resultado é aparentemente muito bom! A verdade por trás da cortina é que os produtos estavam isentos de IVA, “o caraças”! As pessoas pagavam o produto e recebiam um vale de oferta correspondente ao valor do IVA, a descontar na próxima compra. A conclusão que se retirou dali, reflectiu-se numa série de pessoas que se sentiram enganadas e outras tantas que acabaram por não comprar nada e, na sequência disto, não têm vontade de voltar a comprar naquela loja.

A minha questão é: “Não seria muito melhor se tivessem dito a verdade?”. Na minha modesta opinião, óbvio que sim. O aparato era menor, mas os clientes que se deslocassem à loja tinham muito mais espaço para respirar e já sabiam com o que podiam contar.

Dou-vos outro exemplo: as campanhas “Leve 2, pague 1”. Eu traduzo: “Caro cliente, os iogurtes estão prestes a ultrapassar o prazo de validade. Antes que isso aconteça e tenhamos que os desperdiçar sem obter qualquer lucro, aproveite esta oportunidade e leve os que quiser por metade do preço.”. Eu, ao deparar-me com isto, pensaria: “Tudo bem, pá! Por teres dito a verdade, até vou levar a mais para oferecer aos vizinhos!”. E na semana seguinte volto lá, porque aquela marca, “é de confiança”!

A sorte do supermercado onde costumo ir é que o preço dos Petit Gatêau permaneceu a 2,98€ depois de dizerem que não mexiam no valor do IVA, porque já ouvi dizer umas coisas que não me agradaram nada...

Volto a referir. Os clientes estão cada vez mais espertos e despertos para estas tentativas de furto! Qualquer dia começamos a plantar umas frutinhas e umas couves em casa e acaba-se a brincadeira de virem dizer que as batatas (rançosas) estão a metade do preço! E este será o tema do próximo dia.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Poker

Não sou jogador, nem tenho vontade, aliada ao jeito, para isso. Mas hoje apeteceu-me pegar nas regras do Poker, que me foram ensinadas há dias e são incrivelmente parecidas com as decisões que tomamos em várias circunstâncias da vida (hoje é dia de nostalgia, vamos falar sobre a vida). Fold, Call, Raise e All-in – são as expressões utilizadas no jogo. Eu explico o inglês para quem a língua é macabra: Desistir, Assistir, Aumentar a aposta, Apostar tudo. Foi essencialmente este último item que me motivou a escrever qualquer coisa hoje.

É preciso ter tomates para apostar tudo. E eu às vezes coloco-os em risco, confesso. Mas a questão aqui, é que ao apostar tudo, à semelhança do que acontece no Poker, aposta-se contra alguém. Bem, feitas as contas, faz sentido que um dos elementos em jogo há-de perder, correcto? Assim, não será tolice fazer All-in, mesmo tendo noção de que há a possibilidade, porém remota, de ganhar muito mais com essa opção? Não sei se me consigo fazer compreender. Juro que não é nenhuma conversa destinada a alguém em particular. Podia ser e pode parecer, mas não é… mais ou menos, pronto!

Continuando o raciocínio, depois do primeiro jogo em que se é naturalmente aselha, adopta-se uma postura, a meu entender, de alguma contenção. A tendência é, então, fazer Call até ganhar o respeito do adversário e chegar à jogada em que uma boa mão permite fazer Raise, sem riscos. Conseguem acompanhar a ideia?

Fold demonstra incapacidade para ir a jogo, falta de argumentos e, por fim, representa desistência. Ao contrário do que acontece no jogo por se tratar de ficção, Fold é, fora do contexto do “jogo de azar”, sinónimo de desinteresse, fraqueza e um aliado dos pouco lutadores.

Porque já é tarde, concluo apenas com isto:

Quem faz All-in num jogo de Poker e perde, é imediatamente excluído do jogo. É por isso que adoro não ser jogador! ;)